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Museu Sem Paredes

Museu Sem Paredes

Museu Sem Paredes

David Hall, TV Interruptions: The Installation, 1971. Simulação em realidade virtual apresentada na conferência Besides the Screen, Kings College, Londres, 2018. Modelagem de Sang Hun Yu, curadoria de Adam Lockhart (© Adam Lockhart).

Associação de moradores da Vila Autódromo antes das remoções (© Luiz Claudio Silva / acervo Museu das Remoções).

JOÃO ME-PRO-METEO, Um-PEXi (Elpídio Malaquias, esmalte sintético sobre aglomerado, 1992) - acessar em realidade aumentada

Você é a encruzilhada das suas memórias - Nascida do barro e modelada em 3D, essa instalação é composta por uma sala virtual, um programa performático e uma publicação digital. Sua forma, inspirada na moringa, objeto usado pelos povos originários para o armazenamento e resfriamento de água, é um lembrete e um convite: Um lembrete de que sem a união dos elementos da natureza nossa existência não seria possível e um convite a jogar com a porosidade da memória, da identidade e da corpa. Realização: Pedra Silva, Garu e Rodrigo Lopes.

David Hall, TV Interruptions: The Installation, 1971. Planos originais da instalação (© Espólio de David Hall/Universidade de Dundee).

sem título (Álvaro Conde, óleo sobre tela, 1944) - acessar em realidade aumentada

Demolição de casas na Vila Autódromo pela prefeitura do Rio de Janeiro (© Luiz Claudio Silva / acervo Museu das Remoções).

Phi Books VR (© Antonopoulou & Dare).

Com a comunidade sendo usada como um grande canteiro de obras do Parque Olímpico – uma das estratégias usadas para pressionar os moradores e obrigar as famílias que resistiam a aceitar a proposta da Prefeitura do Rio de Janeiro -, a escultura de “Suporte dos Males” e parte da escultura “Espaço Ocupa e Casa da Dona Conceição” foram destruídas por tratores.

Na sua Introdução ao Terceiro Mundo, a artista Marilá Dardot retoma uma tradição poética que reivindica o próprio museu como o seu meio expressivo. A instalação literalmente vira os dispositivos museográficos do avesso, convidando o público a passear por trás de paredes autoportantes, convertendo caixas de armazenamento em vitrines e tratando aquilo que seria contingente como parte constitutiva daquilo que é contido.

Valendo-se dessas estruturas e códigos de exibição institucionalizados, Introdução ao Terceiro Mundo enquadra a obra de outros artistas contemporâneos como pistas sobre a realidade de um arquipélago fictício, vizinho da Nova Atlântida, que existe num permanente estado de redescoberta.

Essa apropriação absurda do modus operandi dos museus de ciência e história natural como forma narrativa sublinha a participação desses equipamentos – imperiais por excelência – no projeto de racionalização de mundos que eles não são inteiramente capazes de compreender. Ao mesmo tempo, ela recupera o processo de classificação com um gesto criador que pode produzir afinidades e traficar sentidos.

No lugar de esvaziar a taxonomia de seu poder, a Introdução ao Terceiro Mundo o orienta rumo à fabulação. O princípio ordenador do museu, comumente empregado em prol da hierarquização de conhecimentos e da segregação disciplinar, é aplicado para renovar esse conceito geopolítico datado como um território fantástico, digno de enciclopédias borgeanas.

Introdução ao Terceiro Mundo

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