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Museu Sem Paredes

Museu Sem Paredes

Museu Sem Paredes

David Hall, A Situation Envisaged: The Rite II (Cultural Eclipse), 1988-90. Documentação da simulação VR apresentada no festival NEoN, Dundee, 2017. Desenvolvimento de Rhoda Ellis, curadoria de Adam Lockhart (© Rhoda Ellis).

DiMoDA 3.0, 2018. Obra de Paul Hertz (Fools Paradise).

Centro Cultural Banco do Brasil - Rio de Janeiro, 2011.

DiMoDA 3.0 - 3LD, Nova York, Junho 2018. Obra de Shane Mecklenburger.

© The Kremer Museum

As percepções do real nos museus correm o risco de criar uma realidade de discursos fragmentados que, se retirados do seu contexto original, não permitem perceber uma outra realidade, diversa em sua totalidade, construindo uma imagem distorcida do “outro”.

David Hall, TV Interruptions: The Installation, 1971. Captura de tela demonstrando o desenho sonoro espacial em Unity 3D. Programação de Sang Hun Yu (© Universidade de Dundee).

Trabalho de reconstrução do Museu Nacional (© Patrimônio Virtual / Prodec Engenharia).

Mapa da ilha sul-sudoeste do Terceiro Mundo, 2011.

Entrega de peças do acervo do Museu das Remoções ao Museu Histórico Nacional (© Luiz Claudio Silva / acervo Museu das Remoções).

David Hall, TV Interruptions: The Installation, 1971. Desenho esquemático da construção 3D de um monitor Hantarex no software Maya por Sang Hun Yu (© Espólio de David Hall/Universidade of Dundee).

Na sua Introdução ao Terceiro Mundo, a artista Marilá Dardot retoma uma tradição poética que reivindica o próprio museu como o seu meio expressivo. A instalação literalmente vira os dispositivos museográficos do avesso, convidando o público a passear por trás de paredes autoportantes, convertendo caixas de armazenamento em vitrines e tratando aquilo que seria contingente como parte constitutiva daquilo que é contido.

Valendo-se dessas estruturas e códigos de exibição institucionalizados, Introdução ao Terceiro Mundo enquadra a obra de outros artistas contemporâneos como pistas sobre a realidade de um arquipélago fictício, vizinho da Nova Atlântida, que existe num permanente estado de redescoberta.

Essa apropriação absurda do modus operandi dos museus de ciência e história natural como forma narrativa sublinha a participação desses equipamentos – imperiais por excelência – no projeto de racionalização de mundos que eles não são inteiramente capazes de compreender. Ao mesmo tempo, ela recupera o processo de classificação com um gesto criador que pode produzir afinidades e traficar sentidos.

No lugar de esvaziar a taxonomia de seu poder, a Introdução ao Terceiro Mundo o orienta rumo à fabulação. O princípio ordenador do museu, comumente empregado em prol da hierarquização de conhecimentos e da segregação disciplinar, é aplicado para renovar esse conceito geopolítico datado como um território fantástico, digno de enciclopédias borgeanas.

Introdução ao Terceiro Mundo

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